segunda-feira, 5 de março de 2012

História, ciência e consciência histórica

ESCOLA ESTADUAL ADALGISA DE BARROS
PRIMEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO
HISTÓRIA

CAPÍTULO 1
HISTÓRIA, CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

Confira abaixo um resumo do capítulo


AMPLIANDO CONHECIMENTOS

PALAVRAS DE INICIAÇÃO


Veja, a seguir, o que o historiador francês Lucien Febvre (1878-1956) sugeria à aqueles que efetivamente queriam conhecer a História.


1. Segundo o autor, não há barreiras entre o pensamento e ação. O que ele queria dizer com isso?

2. Como o estudo da História pode ajudá-lo a entender melhor sua própria vida? E sua experiência de vida pode auxiliá-lo a compreender o estudo da História? Debata essas questões com seus colegas e anote suas conclusões no caderno.


AMPLIANDO CONHECIMENTOS


A MURALHA DA CHINA

Uma mensagem imperial

O imperador – assim dizem – enviou a ti, súdito solitário e lastimável, sombra ínfima ante o sol imperial, refugiada na mais remota distância, justamente a ti o imperador enviou, do leito de morte, uma mensagem. Fez ajoelhar-se o mensageiro ao pé da cama e sussurrou-lhe a mensagem no ouvido; tão importante lhe parecia, que mandou repeti-la em seu próprio ouvido. Assentindo com a cabeça, confirmou a exatidão das palavras. E, diante da turba reunida para assistir à sua morte – haviam derrubado todas as paredes impeditivas, e na escadaria em curva ampla e elevada, dispostos em círculo, estavam os grandes do império –, diante de todos, despachou o mensageiro. De pronto, este se pôs em marcha, homem vigoroso, incansável. Estendendo ora um braço, ora outro, abre passagem em meio à multidão; quando encontra obstáculo, aponta no peito a insígnia do sol; avança facilmente, como ninguém. Mas a multidão é enorme; suas moradas não têm fim. Fosse livre o terreno, como voaria, breve ouvirias na porta o golpe magnífico de seu punho. Mas, ao contrário, esforça-se inutilmente; comprime-se nos aposentos do palácio central; jamais conseguirá atravessá-los; e se conseguisse, de nada valeria; precisaria empenhar-se em descer as escadas; e se as vencesse, nada valeria; teria que percorrer os pátios; e depois dos pátios, o segundo palácio circundante; e novamente escadas e pátios; e mais outro palácio; e assim por milênios; e quando finalmente escapasse pelo último portão – mas isto nunca, nunca poderia acontecer – chegaria apenas à capital, o centro do mundo, onde se acumula a prodigiosa escória. Ninguém consegue passar por aí, muito menos com a mensagem de um morto. Mas, sentado à janela, tu a imaginas, enquanto a noite cai.

KAFKA, Franz. Tradução de Lúcia Nagib. IN: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1995.



1. O texto fala de uma mensagem enviada pelo rei.
a) O que acontece com essa mensagem:
b) Pode-se estabelecer uma comparação entre esse conto e a ciência histórica? Qual?




GUIA DE LEITURA/ ENEM


1. Quais as principais finalidades da aprendizagem histórica? O que você entende por consciência histórica:

2. O que é anacronismo? Como se pode evitá-lo?

3. O que você entende por documento histórico? Cite exemplos.

4. (PUCSP)


“... o tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.”

(Carlos Drummond de Andrade, Mãos Dadas, 1940)


Se o presente é o tempo do poeta, resta ao historiador somente o tempo passado?

Justifique sua resposta, procurando discutir as relações que a História ou o historiador pode estabelecer entre presente e passado.

5. (ENEM)


O encontro "Vem ser cidadão" reuniu 380 jovens de 13 Estados, em Faxinal do Céu (PR). Eles foram trocar experiências sobre o chamado protagonismo juvenil. O termo pode até parecer feio, mas essas duas palavras significam que o jovem não precisa de adulto para encontrar o seu lugar e a sua forma de intervir na sociedade. Ele pode ser protagonista.

([Adaptado de] "Para quem se revolta e quer agir", Folha de S.Paulo, 16/11/98)

Depoimentos de jovens participantes do encontro:

Eu não sinto vergonha de ser brasileiro. Eu sinto muito orgulho. Mas eu sinto vergonha por existirem muitas pessoas acomodadas. A realidade está nua e crua. (...) Tem de parar com o comodismo. Não dá para passar e ver uma criança na rua e achar que não é problema seu. (E.M.O.S., 18 anos, Minas Gerais)

A maior dica é querer fazer. Se você é acomodado, fica esperando cair no colo, não vai acontecer nada. Existe muita coisa para fazer. Mas primeiro você precisa se interessar. (C.S.Jr., 16 anos, Paraná)

Ser cidadão não é só conhecer os seus direitos. É participar, ser dinâmico na sua escola, no seu bairro. (H.A., 19 anos, Amazonas)

(Depoimentos extraídos de "Para quem se revolta e quer agir", Folha de S.Paulo, 16/11/98)


Com base na leitura dos quadrinhos e depoimentos, responda às questões propostas.
a) Que surpresa teve o bode Orelana, personagem do cartunista Henfil, com a jovem Graúna, que teria vivido na década de 1970, período da Ditadura Militar no Brasil.

b) Em seu ponto de vista, os jovens têm se interessado pela participação ativa na sociedade? Liste alguns argumentos e fatos para apoiar seu posicionamento.

c) Como você acha que a aprendizagem histórica pode colaborar para a prática da cidadania?

6. (UnB-DF)

O que distingue o historiador dos outros cientistas sociais é sua preocupação primordial com o tempo, com a duração, com a mudança e com as resistências à mudança, com as transformações e as permanências ou sobrevivências . Se a documentação adequada existir e estiver disponível, não há aspecto algum do presente que esteja fechado à pesquisa científica do tipo histórico.

Ciro Flamarion S. Cardoso. Uma introdução à História. 2. a ed. S. Paulo: Brasiliense, 1982, p. 107 (com adaptações).


A partir do texto acima, julgue os itens seguintes, referentes ao estudo da História.

(1) Se, como afirma o autor, o tempo é a categoria que singulariza o campo de trabalho do historiador, não há como pretender a interdisciplinaridade entre História e as demais ciências sociais, já que são rígidas as fronteiras que as separam.

(2) Infere-se do texto que seu autor elimina a possibilidade de haver uma História do tempo presente, quer pela indisponibilidade de fontes para a pesquisa, quer pela elevada subjetividade de que estaria impregnado o trabalho do historiador.

(3) Do ponto de vista do autor a História é o conjunto de fatos significativos do passado, sustentadores da marcha linear de progresso que caracteriza a trajetória das sociedades ao longo dos séculos.

(4) Ao falar em “mudança” e em “transformações” na História, o autor poderia apoiar-se, por exemplo, em significativos momentos da evolução do Ocidente: da mesma forma que, na Antiguidade, Roma foi uma ruptura em relação à Grécia, a Idade Média européia correspondeu ao rompimento definitivo com o passado clássico.


GABARITOS

CAPÍTULO 1: HISTÓRIA, CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

AMPLIANDO CONHECIMENTOS

1. Para o amante da História Lucien Febvre, o pensamento e a ação devem estar interligados, afinal a vida se faz no presente e as reflexões sobre a história devem servir às ações desse tempo. Os questionamentos e dúvidas são necessários para a lutra da vida. Viver intensamente, como um jovem cheio de energia e garra, são as sugestões do historiador para que se possa acordar a gelada e adormecida princesa da história, tornando-a quente e viva.

2. Reflexão dos alunos.


AMPLIANDO CONHECIMENTOS

1. a) Ela se perde no caminho.

b) Sim. As fontes históricas são migalhas, pequenos fragmentos, restos de uma realidade perdida para sempre.

2. Por meio de documentos históricos. No entanto, a mensagem, entendida como o passado, nunca poderá ser recuperada de forma integral. Sempre haverá informações perdidas, detalhes impossíveis de serem recuperados em sua totalidade.

PARA DEBATER E REFLETIR

* Pesquisa pessoal dos estudantes.

GUIA DE LEITURA/ENEM

1. Tudo que é humano é constuído historicamente. Assim, ao estudar a trajetória dos homens no tempo, comparar o passado, contextualizar eventos políticos, econômicos, culturais e sociais, perceber as diferenças entre culturas e refletir sobre as transformações e permanências, a História auxilia na compreensão do mundo em que vivemos, constituindo uma indispensável ferramenta para a vida: a consciência histórica.

2. É o ato de descontextualizar um fato histórico, retirando-o de seu tempo. Para se evitar o anacronismo, deve-se contextualizar os fatos, buscando compreendê-los com os conceitos da época em que eles ocorreram.

3. Todo e qualquer vestígio da presença humana em algum tempo e lugar, seja um documento escrito, um objeto pessoal, um fragmento de uma edificação, um quadro, um filme, uma roupa, etc.

4. Não. A História não estuda o passado. Ela estuda a vida do homem ao longo do tempo, comparando o presente com o passado, analisando permanências e rupturas, continuidades e descontinuidades, e buscando enriquecer sua experiência cultural e compreender a dinâmica construção das sociedades humanas.

5. a) A surpresa se refere ao fato de que mesmo uma geração reprimida e sem acesso às informações mais críticas pode se rebelar e criar novas ideias e atitudes.
b) e c) Reflexão dos alunos.

6. 1. (F) 2. (F) 3. (F) 4. (F).


2 comentários:

  1. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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  2. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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